quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Las Vegas por pessoas de Las Vegas



Revista Speak Up! Ano XX, No. 244. Páginas 28 a 31.


Viva Las Vegas!


Conhecida pelo mundo como a “Cidade do Pecado”, Las Vegas no deserto de Nevada é certamente um lugar divertido para se visitar. Aqui você encontrará enormes hoteis, shopping centers, teatros, museus, campos de golfe, quadras de tênis, piscinas, capelas de casamento e, claro, algumas dos mais famosos cassinos do mundo. Na verdade, você pode conhecer vários desses lugares da moda no novo filme Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean´s Thirteen), estrelando George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon.


Mesmo assim, uma de várias das grandes atrações em Las Vegas é a chance de ver as estrelas do filme pessoalmente. Para descobrir como fazer isso, pedimos a Jarret Keane, cujo livro, O Guia Underground de Las Vegas, foi publicado pela Manic D. Press em 2005:


Jarret: Bem, você sabe, você verá celebridades em quase todos os lugares. Você os verá em Palms, você os verá no Hard Rock, você os verá no Bellagio, MGM Grand. Várias celebridades gostam de participar nesses torneios de Poker – Tobey Maguire do filme Homem-Aranha, está sempre em Las Vegas, sabia, participando de torneios de poker. Na recente luta de boxe entre De La Hoya e Mayweather estavam.. estavam várias celebridades presentes. Depois eles costumam ir a casas noturnas como.. Pure, Studio 54, Taboo, lugares do tipo. Qualquer uma das boates na Strip tende a atrair um bom número de celebridades em qualquer noite. O lugar onde eu vi mais celebridades é provavelmente o Ghost Bar em cima da Palms, uma ótima boate com uma vista incrível.


Pedimos a Jarret Keane para nos dar nomes.


Jarret: Bem, eu já vi todos. Quer dizer, vi Sandra Bullock, Kevin Spacey. Paris Hilton, Briney Spears. Vários músicos também: Gwen Stefani. Várias celebridades. Por várias razões, Las Vegas se tornou o melhor lugar para férias, ou melhor boate, para várias celebridades de LA.


PESSOAS COMUNS

Mas nem todos os residentes de Las Vegas são fascinados pelos astros. David Gorena, por exemplo, é um chofer, e gorjetas são uma parte importante de sua renda.


David: Quando falamos a respeito de gorjetas, o cliente menos viajado é às vezes o melhor, porque eles não sabem quanto dar de gorjeta e então eles tendem a dar uma gorjeta alta. Estrelas de cinema, de esportes e assim por diante.. você às vezes não é nem permitido olhar nos olhos deles. Somente com seu empregado ou gerente que você pode negociar e essas pessoas não costumam ser tão generosos com gorjetas como gostaríamos, mas são os Pais e Mães de Nebraska que não saem de casa, exceto uma vez a cada 20 anos, que vêm a Las Vegas para sua segunda lua-de-mel, que são os clientes favoritos porque eles são mais pé-no-chão, eles não são transigentes com o chofer, as coisas que você compartilha com eles pode tornar melhor ou piorar a viagem deles a Las Vegas, então é importante que ofereçamos o melhor serviço à eles, mesmo que eles não sejam artistas de cinema, ou coisas do tipo.


ELVIS E PRISCILLA

Além de vir a Las Vegas para ver lutas de boxe e ir a boates, as celebridades também escolhem Las Vegas como um lugar para casar. Charlotte Richards é uma coordenadora de casamentos na Little White Chapel, uma das várias capelas na Strip. Nos anos 60 ela foi ao casamento de Frank Sinatra e Mia Farrow, bem como no de Elvis e Priscilla Presley. Clientes mais recentes incluem Bruce Willis e Demi Moore, sem falar em Britney Spears:


Charlotte: Britney Spears veio até este altar e se casou… com seu primeiro marido e nem é preciso dizer que, ela se divorciou logo após, mas, não foi em 55 horas como as notícias dizem, foi mais tempo que isso, mas enfim, amo a Britney e peço a Deus que ela sempre... volte a ser um doce novamente porque ela é uma mulher extraordinária. E eu sei que tantas pessoas estão torcendo por ela e querem que ela seja a mulher que ela realmente é – e será!

Investidores americanos no Iraque

Revista NewsWeek. Outubro, 2007.


Vamos fechar um acordo em Petróleo?

Um amigo da família Bush pode estar enfraquecendo a paz no Iraque.


Por Richard Wolffe e Gretel C. Kovach


Ray Hunt não é o típico magnata do Texas. Ao contrário de outros donos de petrolíferos que se promovem exageradamente na mídia como lendas, Hunt tenta com dificuldade manter seu nome fora dos jornais. O filho do empreendedor do petróleo H.L. Hunt, que passou sua vida debaixo dos holofotes, Ray Hunt raramente concede entrevistas e se recusa a fornecer mesmo detalhes fúteis sobre os trabalhos de seus investimentos em petróleo e imboliários. Ele doou grandes quantidades em dinheiro à sua alma mater, a Universidade Metodista do Sul (SMU), em Dallas, mas não permitiu que seu nome fosse afixado em qualquer dos prédios que seu dinheiro ajudou a pagar. A discrição de Hunt provavelmente é uma das razões de seu próximo relacionamento com a família Bush, que dá grande valor à privacidade.


O dinheiro de Hunt também pode ter algo a ver com isso. Através dos anos, o magnatas do petróleo levantaram milhares de dólares para eleger tanto George W. Bush pai como o filho. O filho recompensou Hunt com um assento na Mesa Diretora de Conselheiros de Assuntos Estrangeiros do Presidente, um painel de anciãos de fora do governo que inspecionam se o presidente está recebendo bons conselhos da comunidade internacional. Mais recentemente Hunt têm sido especialmente generoso em ajudar a planejar – e pagar – as ambições pós-presidenciais de Bush. Ele apoiou o presidente a construir a biblioteca presidencial Bush 43 na SMU – que é onde Laura Bush estudou – e desde então, ele deu 35 milhões de dólares à escola para pagar parte da terra onde o complexo da biblioteca será construído.


A generosidade de Hunt pode ajudar a explicar porque a Casa Branca parece aparentemente relutante em questionar outros projetos do negociante no ramo do petróleo – este agora no Iraque. Para aparente surpresa, e irritação, dos oficiais em Washington e Bagdá, a Hunt Oil anunciou este mês (Outubro, 2007) que, depois de negociações secretas, fechou um negócio com os líderes Kurdos que controlam o norte do país para explorar petróleo na região de Dahuk próxima à fronteira com a Turquia. Notícias sobre o negócio irritaram líderes árabes Iraquianos, que viram isso como um jogo de poder dos Kurdos pelos recursos de petróleo do país, um que pareceu interromper as já fracas conversações sobre um tema crítico para paz: um acordo entre os Sunni, Shiitas e Kurdos para dividir lucros do exuberante suprimento de petróleo do país. A esperança é que a lei de divisão do produto interno nacional ajude a diminuir a tensão – e reduzir a violência – ao fazer com que os três grupos trabalhem em direção à um objetivo comum. O ministro de Recursos de Petróleo do Iraque denunciou o acordo de Hunt como ilegal – apesar de que sem uma lei em voga é difícil argumentar que os Kurdos a violaram. Os Kurdos se recusam a apresentar os termos do negócio mas insistem que irão dividir os lucros.


Nos Estados Unidos, os rumores sobre o acordo inflamaram os caluniadores de Bush, que acusaram o presidente de ajudar um grande contribuidor a encher os bolsos às custas da paz no Iraque. Os oficiais da Casa Branca dizem não ter conhecimento das negociações de Hunt, e que não o ajudaram. Hunt não quis comentar, mas, Jeanne Philips, a porta-voz da empresa, disse que ninguém foi avisado das negociações. “Nós não discutimos negócios em potencial com o governo dos Estados Unidos,” ela disse. Após o acordo ter vindo à conhecimento público, segundo Philips, os oficiais do governo nos chamaram para pedir detalhes, mas mesmo assim a companhia se recusou. Oficiais Kurdos também dizem que mantiveram as negociações em segredo até dos Estados Unidos.


Oficiais da Casa Branca podem não ter ajudado Hunt a fechar o negócio, mas isso não significa que eles não estão fazendo o melhor para apresentar o projeto de Hunt como sinal de progresso. “É positivo que uma empresa escolha investir no Iraque – seja ela americana ou não,” disse o porta-voz Tony Fratto. Ele jogou com a noção de que o o negócio de Hunt pudesse minar negociações já tensas de tentar alcançar um acordo de divisão do petróleo. “Sobre a forma como isso tem impacto na reforma da lei de petróleo no Iraque, as autoridades de lá terão que resolver.” O subtexto otimista da Casa Branca diz: o acordo de Hunt irá proporcionar que os três grupos iniciem as negociações de uma lei nacional de petróleo no intuito de evitar futuros acordos secretos.


Ao menos um dos principais oficiais da Casa Branca estava disposto a expressar algum ceticismo. Perguntado pela NEWSWEEK sobre a controvérsia da conferência da última quinta, o Presidente Bush disse, “Eu não sabia nada sobre o negócio. Preciso saber exatamente como aconteceu. De maneira que isso não afete a capacidade do governo em apresentar planos de compartilhamento da renda do petróleo que unificam o país, obviamente se isso afeta, estou preocupado.” Existe uma maneira do presidente descobrir exatamente como o negócio aconteceu. Ele pode ligar seu velho amigo Ray Hunt e perguntá-lo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Grafite em NY, Dos metros para as ruas e galerias de arte!


Arte em Nova Iorque – Grafite
(Revista Speak Up, no. 254, páginas 22-24)

Geralmente as pessoas reconhecem que a vida em Nova Iorque melhorou nos últimos anos, e que agora é mais limpa e mais segura do que costumava ser. E mesmo assim, esssa melhoria veio por um preço: muitas pessoas tiveram que deixar a cidade, já que não conseguiam mais se manter lá.
Outro aspecto da face de uma Nova Iorque transformada é o desaparecimento – ou transformação - do Grafite. Nos anos 70, quando a cidade era particularmente violenta e caótica, os carros de metrô eram cobertos por tinta de spray. Hoje, os carros estão impecáveis, e os “vândalos” que os pixavam se tornaram artistas respeitados.

MEU NOME É OMNI
Dois dos mais famoso grafiteiros de Nova Iorque, Keith Haring e Basquiat, ambos morreram jovens, mas existem vários outros que ainda atuam, apesar de usarem os muros como sua tela ultimamente. Um bom exemplo, é Dan Whedon, que assina seu trabalho como “Omni”. Ele contou à Speak Up como o grafite se tornou uma característica da vida em Nova Iorque:

Dan Whedon – Foi um dos diferentes aspectos da cena hip-hop. No início dos anos 80, final dos anos 70, a cena hip-hop se tornou..era uma ambiente underground, não haviam vídeos de rap da MTV por todo lugar, as pessoas colocavam pedaços de papelão da rua e apresentavam o break-dance e rap só tocava raramente nas rádios, tarde da noite em certas rádios, nós como artistas do grafite pintávamos nossos carros de metrô de madrugada e era nossa sub-cultura, nós não fazíamos isso pra ninguém a não ser nós mesmos.

Whedon foi abordado por donos de galeria de arte.

Dan Whedon – Bem, no início dos anos 80, eu na verdade tiver minha primeira apresentação em um grupo, acho que eu devia ter uns 14 anos e, na apresentação, Jean-Michel Basquiat.. estava.. estava na apresentação. Eu não tinha idéia de quem era aquela pessoa. Eu não ligava pra quem era aquela pessoa. Eu estava interessado em sair da galeria, pra que pudéssemos ir ao pátio de carros de metrô e pintá-los naquela noite. Então meu interesse era pintar carros de metrô e eu estava bastante comprometido com isso e não me importava com a galeria, ou qualquer coisa do tipo.

O FIM DE UMA ERA
Mas, como todas as coisas boas, a era do Grafiti chegou ao fim. O Movimento Trens Limpos iniciou-se em 1989 e Rudy Giuliani se tornou prefeito em 1994.

Dan Whedon – Eu nunca parei de gostar de pintar carros de metrô. Na verdade eu ainda quero pintá-los, só que não quero ser pego. O que aconteceu? O MTA metodicamente se livrou de maior parte do grafite – todos os carros de metrô grafitados – ao atacar uma linha de metrô por vez. Por exemplo, eles iriam até a linha um, e carro por carro, iam sendo substituídos por carros de metrô que ainda não tinham sido grafitados – nós os grafitávamos – e uma vez que estavam com outro grafite, eram tirados de circulação imediatamente, para que não tivessem chance de circular, e isso se seguiu, levou 10 anos para que eles finalmente conseguissem o que queriam.

Tempos Difíceis
Artistas do Grafite de Nova Iorque não decoram mais os carros de metrô e hoje se concentram em murais. Mas ate mesmo aqui encontram problemas: nos últimos meses o trabalho de artistas como “Swoon”, “Banksy”, “Neck Face”, “Shepard Fairey”, “Lepos”, “Faro” e “Elbow” foram “espirrados” por sabotadores anônimos. A revista New York até publicou um artigo sob o título “O Vândalismo Vândalo”.

domingo, 10 de agosto de 2008

Em epocas de rumores de guerra, estaria a nacao americana disposta a assumir os despojos?



Newsweek Magazine. Edição: 05 de Julho, 2004. Página 53.

Um Império em Negação

A América é forte, mas, sem vontade de comandar o mundo.

O Jornalismo, um sábio editor disse uma vez, é o primeiro rascunho da história. Nesses dias, com toda a velocidade dos meios de comunicação, os historiadores estão às vezes sendo os primeiros a entregar os rascunhos. Niall Ferguson é um desses estudiosos totalmente modernos. Ele tem reuniões da universidade nos dois lados do Atlântico – Universidade de Nova Iorque, e Universidade de Oxford. Seus insights provocativos o tornam procurado por agentes de talk-shows e conferencistas de alto nível.
Como um exemplo da história atual, o novo livro revelador de Ferguson, “Colosso: A Ascensão e Queda do Império Americano”[1] (400 páginas, Allen Lane), não poderia ser mais oportuno. Um exame do passado e presente do Imperialismo Americano, o livro aterrisa no meio das escandalosas acusações à guarda americana na prisão de Abu Ghraib e a entrega de poder no Iraque. “Colosso” é a sequência para outro aclamado livro de Ferguson, “Império: Como a Grã-Bretanha Fez o Mundo Moderno.” Ferguson acredita em Impérios liberais que promovem igualdade e livre comércio. E ele acredita que seria bom para o mundo se os Estados Unidos ocupassem o vácuo deixado pela queda do Império Britânico. Mas, ele tem dúvidas se a América está disposta ao trabalho.
O problema da América, diz Ferguson, é que é um império em negação. Ele possui a força, mas, não a vontade de um império adequado. Ele possui 752 instalações militares em mais de 130 países e conta com aproximadamente um terço da economia mundial. Mas a América é também relativamente uma jovem nação de imigrantes com vários assuntos domésticos não resolvidos.
Ferguson delimita muito bem as diferenças entre Grã-Bretanha e América no que diz respeito a apetite por império. O império da América é um “sem colonizadores” ou “administradores”. Não há classes de cidadãos demonstrando espírito imperial como os Britânicos, que emigraram em grande número para suas colônias, estabelecendo não somente instituições mas suas próprias vidas. Em Oxford e Cambridge um século atrás, diz Ferguson, “estudantes ambiciosos sonhavam em passar nos exames do Serviço Civil Indiano e embarcar em carreiras como pró-consuls do Império.
As autópsias de Ferguson das “piores falhas” do recente imperialismo Americano – Haiti, Cuba e Vietnã – mostram somente como as políticas dos EUA podem sair como um tiro pela culatra. Sua conclusão nesse atrativo livro dificilmente não seria desoladora: “Os Estados Unidos adquiriram um império, mas os próprios americanos não tem a mente voltada para o imperalismo. Eles preferem consumir a conquistar. Eles preferem construir centros comerciais do que nações.” Como resultado, as aventuras imperialistas americanas tendem a ir com alarmante entusiasmo de ardente para ausente – um ciclo não tão incomum para qualquer um que siga as notícias vindas do Iraque. Seria uma “tragédia” se, no final, a história se repetisse no Iraque, diz Ferguson. “Mas não uma surpresa.”




[1] Colossus: The Rise and Fall of the American Empire